A partir do mito de Pandora que, ignorando os avisos do amante, abriu a caixa que continha os males do mundo, Teresa Coutinho escreve Je ne regrette rien, sob o ponto de vista da figura mitológica a quem é imputada a responsabilidade pela origem de todo o Mal. Privilegiando o aspecto, tantas vezes esquecido, de Pandora ter fechado a caixa a tempo de impedir que a Esperança se libertasse e inspirada na afirmação em Murielle Szac: "Porque é que Pandora não libertou a esperança? Porque assim conseguiu proteger-nos da inação", a criadora dá corpo a uma mulher terrena que, contrariando a ingenuidade e culpa da figura mitológica, fez uma escolha e se orgulha dela: ter desobedecido. Porque, como diz Rachel Hausfater, “o contrário do desespero não é a esperança, mas a luta”, Pandora faz a sua defesa e a sua declaração de amor ao presente, entre canções de Piaf e alusões à atualidade política. "C'est payé, balayé, oublié, je me fous du passé”.
Ficha Artística / Técnica
criação, texto, interpretação
Teresa Coutinho
vídeo, câmara em tempo real
Mariana Guarda
luz e espaço cénico
Tiago Cadete
sonoplastia
Surma
figurinos
Mariana Sá Nogueira
apoio ao movimento
Piny
produção executiva
Lila Tiago
gestão financeira
Vitor Alves Brotas / Agência 25
co-produção em residência
O Espaço do Tempo
co-produção
Agência 25, Temps d'Images
TERESA COUTINHO é atriz, criadora e dramaturga. Criou e escreveu O Fim Foi Visto (2025), Was ist das Kind so schön (2024) para o Theater Basel, Peço a Palavra (2023), Sem Medo (2023), Solo (2021), Distante de Caryl Churchill (2021), O Eterno Debate (2020), entre outros. Foi assistente de Tiago Rodrigues, Gus Van Sant, Faustin Linyekula, Emilie Rousset, entre outros. Como atriz trabalhou com Christiane Jatahy, Tim Crouch, Catherine Marnas, Rogério de Carvalho, Ricardo Neves-Neves, entre outros.