Terra Cobre, nova criação do artista sonoro João Pais Filipe e do bailarino Marco da Silva Ferreira, nasce e expande-se a partir da vila de Alcáçovas (Alentejo), num processo criativo que cruza a arte chocalheira tradicional de Alcáçovas – método ancestral de um processo de fabrico manual – com práticas artísticas contemporâneas, ancoradas na percussão e na dança.
Pertinente – os chocalhos são uma prática que foi declarada Necessidade de Salvaguarda Urgente, pela UNESCO, em 2015, sendo a primeira vez que uma criação artística de dança se foca nesta prática tradicional –, original – trata-se de um processo colaborativo que funde as disciplinas de percussão e dança, para além de propor uma dimensão imersiva do público, que é convidado a circundar o espaço cénico e a participar na ativação física e sonora de estruturas instalativas –, inovador – pelo cruzamento geográfico de artistas Norte-Alentejo, que, numa perspetiva antropológica, criativa e inventiva, desafiam a iconografia e simbologia tradicional portuguesa para a colocar num patamar exploratório e hiper-sensorial –, Terra Cobre permite a João Pais Filipe e Marco da Silva Ferreira, com os demais colaboradores artísticos, aprofundar as suas investigações em torno de um dispositivo que oferece premissas coreográficas assentes no património material e no questionamento das propriedades históricas e culturais dos objetos e das identidades sonoras, coreográficas e visuais.