Não há caminho de volta ao Paraíso é o nome deste projeto que resultará numa performance multimédia com o mesmo nome. A António Olaio e Richard Strange, juntam-se os artistas André Sier e Silvestre Correia, que permitem uma maior complexidade conceptual nas possibilidades multimédia e performativas.
Com inspiração na relação entre duas pinturas que Marcel Duchamp pintou no verso uma da outra, Adão e Eva no Paraíso e O Rei e a Rainha rodeados de nus rápidos, este espectáculo vive da vertigem de uma humanidade que se vai afastando de uma unidade matricial para um devir cujas possibilidades esbatem os contornos do humano, quando este se prolonga no artifício a ponto de não se distinguir dele.
Não há de facto possibilidade de regresso ao Paraíso.
Este será um espectáculo de forte plasticidade formal e narrativa. Protagonistas da ação em palco e/ou em vídeo serão António Olaio, Silvestre Correia e Richard Strange, com André Sier a controlar os elementos multimédia ao vivo, sensível aos ritmos e à respiração da performance. Os performers são personagens num estranho laboratório onde vão criando cabeças como se criassem e recriassem novas versões da Humanidade. Muitos outros performers surgirão no vídeo como cabeças de gente que aparecem cada vez que uma nova cabeça é criada no palco. Cabeças que falam entre si desaparecem e aparecem. Que ficam ou se deitam fora. Que conversam como se tivessem vontade própria, mas talvez duvidem de facto existirem como gente, na impossibilidade de distinguir o humano do artifício.
O monólogo final de uma das personagens principais mostra-nos como ele se lembrava de que foi toda a gente. Terá sido Adão, sabe que o foi, mas mal se lembra disso...