Um homem e uma mulher encontram-se à mesa de um café e relembram o passado.
É este o ponto de partida da complexa história de amor e amizade que nos chega pelas vozes de Jerry, Emma e Robert, contada por Harold Pinter através de uma linha temporal inversa, desfeita. Esse ato pode ser a forma clara de abordar a complexidade da passagem do tempo, como construímos memórias e como as nossas escolhas para comunicar não são lineares e objetivas. Talvez seja mesmo o espaço entre o ato e a palavra, a Pausa de Pinter, que carrega toda a tensão e toda a verdade de um diálogo que pode parecer, à partida, inconsequente.
Há momentos em que a traição está implícita meramente numa fala do diálogo, numa pausa ou troca de olhares, numa evocação do passado, numa promessa não cumprida. Uma inquietante história sobre a fragilidade do amor e das relações humanas.