Se eu não viver a minha verdade, limito-me a escrevê-la, reduzo a humanidade a poesia e a poesia a um senso comum de moralidade. Se a minha própria vida não for percecionada como um sacrifício moral, então talvez isto seja apenas poesia — não vida real. E se Georges Bataille e Sarah Kane se juntassem para jogar xadrez e decidissem reescrever a história da arte ou da humanidade: como seria? Um parque de diversões trágico-erótico, cheio de gonorreia, animais transformados em humanos, moralidades postas à prova… O impossível a tornar-se possível e os mortos a regressarem à vida. O tribunal marcou a sentença de morte em nome do amor. O museu marcou a sentença da eternidade em nome da arte e um funeral — metade funeral, metade aula de culinária — o funeral marcou a sentença de voltar à vida, em nome do morrer.
O universo de Xana Novais continua a exploração do corpo como tela e objeto, utilizando o treino e a disciplina para transcender a performatividade. Esta segunda parte de How to Kill opõe-se à ideia de que é possível morrer; aliás, questiona se até a própria morte pode ser reversível. Um culto de artistas que se reúne, que treina e que luta, numa procura intensa pela exumação do passado.