Ao crepúsculo — à medida que a cor se dissolve na escuridão — reavivamos o arcaico e colocamo-lo em contacto com o contemporâneo. Criamos um encontro que acolhe um mundo queer, que olha de lado através do tempo: simultaneamente para o passado profundo e para o futuro. Na numerologia, o 5 é o número da liberdade dentro da forma. Em tailandês, 5 é um dígito pronunciado “ha”. Escrever 55555 é o equivalente, na linguagem das mensagens e dos chats, a rir — como “hahahahaha”. É com esta exuberância que começamos a dança. Através de ritmos densamente estratificados e de uma magia visível através de uma luz cintilante, o público é convidado a circular em torno de uma cena ritual, que abre espaço a outras formas de relação, participação e cocriação.
A questão que sustenta este trabalho é: como sair? Como podemos renunciar ao atual enquadramento social, que exige conformidade, isolamento e participação obrigatória em estruturas de violência assentes na desigualdade? Perguntamo-nos como poderá a vida ser mais do que isto. 55555 imagina uma paisagem temporária, uma zona de cruising para o pensamento e a sensação, um lugar onde podemos sonhar outras realidades até estas ganharem existência.