Em 2021, Jonas lança o seu álbum de fado como cantautor intitulado São Jorge (com edição de Valentim de Carvalho e produção musical de Jorge Fernando) e Jonas&Lander estreiam a peça Bate Fado. Posteriormente à estreia destes dois projetos, a Valentim de Carvalho convida Jonas a oficializar a conexão entre a música e a dança. Fruto deste convite, e como consequência do rumo que o percurso deste artista multidisciplinar tomou, nasce o projeto Navalha.
Navalha é o título do segundo trabalho discográfico de Jonas, projeto que se mantém alinhado com a missão da Sinistra na devolução da dança ao fado juntamente com os projetos Bate Fado e, principalmente, com Resgate. Um disco que sublinha as sonoridades latino-americanas, ibéricas e africanas já presentes no Fado e que é composto quase na íntegra por originais de Jonas que convidam à dança. Durante o processo de gravação em estúdio de Navalha, são efetuadas experiências coreográficas com os bailarinos que frequentam o Resgate, criando desta forma tecido coreográfico para os novos temas que vão saindo da criação do álbum.
Paralelamente ao decorrer da atividade de formação Resgate, que termina em março de 2023, inicia-se o processo de criação que materializa cenicamente o projeto Navalha, um espetáculo desenhado para um fadista, dois bailarinos (selecionados através do projeto Resgate) e três músicos, que propõe a ampliação do Fado Batido para um meio mais ligado à música. Como apoio à residência, o projeto conta com os Estúdios Victor Córdon e O Espaço do Tempo, e na investigação com o apoio do Museu do Fado.
No espetáculo é explorado um vocabulário de movimento que parte de Jonas&Lander, dois coreógrafos da dança contemporânea, propondo o recuperar de uma dança antiga para os nossos dias, uma dança desenhada para a expressão musical urbana com mais de dois séculos que não deixa de ser contemporânea pela sua forja na atualidade. Os próprios músicos batem o Fado e deslocam-se no palco, proposta que contrapõe a estaticidade vigente na performance dos músicos de Fado.