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Retrospetivando e concluindo a prática investigativa que tem ocupado Rogério Nuno Costa desde 2015, em projetos para-académicos que co-existem nas interseções entre Arte, Ciência, Filosofia e Cultura Pop, MULTIVERSIDADE propõe a produção, apresentação e problematização de um discurso especulativo e “pós-ficcional” que ambiciona a previsão do futuro da Universidade através do exercício queer da falha, enquanto dispositivo de resistência a modos hegemónicos de produção e partilha de conhecimento. O projeto tem vindo a materializar-se em modelos de trabalho inter- e trans-disciplinares, co-laborativos e co-operativos, horizontais e holísticos, essencialmente investigativos e laboratoriais (seminários, grupos de trabalho/leitura, workshops, publicações colaborativas, etc.), em parceria com festivais, estruturas de formação independentes e instituições académicas em Portugal, Alemanha, Países Baixos, Roménia, Finlândia e Canadá.

Em 2021, o manancial de informação (essencialmente textual) compilado ao longo dos anos foi condensado numa palestra-performance apresentada enquanto tese académica (ou o seu infinito abstract), elaborando e re-imaginando alternativas utópicas à ultra-liberalização da academia contemporânea — a “universidade dos números e dos rankings”, a “universidade da excelência”, tal como Bill Readings a descreve/critica no ensaio A Universidade em Ruínas (1996) —, para a confrontar com a possibilidade de uma “universidade de múltiplos”. Uma multiversidade. A performance inauguraria um novo andamento para o projeto (Pós-Produção), que durante o biénio 2023-24 se desdobrará numa série de encontros preparatórios para a edificação “real”, temporária e precária, de uma multiversidade, programada para acontecer no contexto do Circular/Festival de Artes Performativas de Vila do Conde em setembro de 2024. A residência que terá lugar no Espaço do Tempo em outubro de 2023, no contexto do projeto Es.Col.Az., juntará uma task force de artistas-pensadorxs-investigadorxs com o objetivo de discutir com que meios, modos, métodos e operações podemos/queremos construir uma universidade pluriversa em terreno movediço, uma academia-enquanto-performance, mais ou menos nómada, mais ou menos periférica, estudando modelos ex-titucionais de partilha de conhecimento para/pós/anti-académico e elencando possibilidades discursivas e materiais, potenciais colaborações, contextos e parcerias. No final, e idealmente, prevê-se a performatização de uma maquete experimental e peripatética da Multiversidade, a desenvolver em 2024.

Ficha Artística / Técnica

Coordenação de projecto
Carlos Manuel Oliveira

Curadoria
Rogério Nuno Costa

Artistas convidados
Liliana Coutinho, Joclécio Azevedo, Fernanda Eugénio, Joana Braga

Produção
Associação Parasita

Co-produção
Santarém Cultura, 23 Milhas, ARS, Associação Circular, Espaço do Tempo

Apoio
Direcção Geral das Artes – Governo de Portugal

Es.Col.Az. é uma rede de artistas que nos últimos anos foram responsáveis pela concepção e realização de cursos independentes de artes performativas em Portugal, com vista à problematização das relações de poder/saber em contextos de aprendizagem e produção de conhecimento, tendo o corpo e o colectivo como focos. Esta rede tem vindo a formar-se progressivamente através de uma série de encontros, tendo por horizonte a partilha continuada de investigações com foco nas condições da aprendizagem, na ideia e modos de escola, e de como ambas são matéria de investigação elas próprias, seja pela realização de cursos como aqueles em que as artistas/investigadoras da rede se envolvem, seja pelo ensaio da reflexão teórica que cada uma faz sobre essas experiências.

Es.Col.Az

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