Numa época em que o cuidado e a vulnerabilidade são frequentemente (mal) compreendidos como fraquezas, é vital reconhecer a importância da interdependência.
Dos processos celulares aos exemplos reais da vida quotidiana em Montemor-o-Novo, este filme é um apelo à revalorização da nossa necessidade de ligação numa sociedade ocidental cada vez mais individualizada e isolada. Traçando paralelos com a forma como as células dependem umas das outras para sobreviver, este projecto procura desafiar as narrativas de competitividade e dominação que ainda são utilizadas como uma justificação natural para a construção das nossas sociedades auto-orientadas.
Expondo as projeções culturais que o próprio homem inscreveu na natureza, este projeto visa trazer as histórias que a ciência historicamente marginalizou. Aqueles que reconhecem a nossa necessidade primordial de conexão, comunidade e cooperação. Tal como as células se coordenam entre si, as gentes de Montemor-o-Novo são um exemplo único que revigora uma visão de cooperação social e comunitária.
Combinando os elementos de um vídeo-ensaio e de um documentário experimental, a essência deste filme reside na exploração da interdependência, abrangendo desde estruturas celulares até sociedades inteiras. Criado e dirigido por Elisa e com a extensa e diversificada experiência cinematográfica de Karen Yarosky (Documentarista canadense e diretora de TV), pretendemos embarcar numa viagem de dez dias para documentar as histórias dos vizinhos de Montemor. Portanto, o objetivo deste projeto não é apenas repensar criticamente as nossas ideias científicas pré-concebidas, mas revalorizar às nossas histórias e cultura aqui na Península Ibérica.