(Des-)Guia TurÃstico @ Montemor-o-Novo: 2024-27 será, antes de mais e que tudo, o que puder vir a ser, resultante do trabalho realizado no território no contexto de várias residências artÃsticas.
É expectável que possa resultar numa publicação impressa (à laia de Livro de artista(s) e/ou online, mas também pode resultar num conjunto de anti-tours a serem disponibilizados para a população local (num âmbito alargado), mas tudo se decidirá na vivência do território e dos encontros com pessoas e com as paisagens naturais e com toque humano.
Deste modo, poderá ser uma espécie de guia artÃstico-cultural, logo mais subjectivo e desejavelmente mais humanista em que se privilegia o infra-ordinário (aquilo que nos escapa ao olhar quotidiano ou aquilo que nos é ocultado nos media ou nos guias turÃsticos para massas, por outras palavras: a moeda que cai e permanece eternamente entre as almofadas do sofá). Um exemplo muito concreto: teremos uma secção intitulada património da humanidade que reapresentará Montemor-o-Novo através de pessoas que habitam no território: nativas, residentes, visitantes, mas também outras pessoas oriundas de várias geografias nacionais e internacionais que aqui aportaram numa primeira amostra entre 15 e 20 pessoas.
Este exemplo comprova a nossa demanda em aplicar princÃpios da inclusão a todos os nÃveis de representatividade: condições socioeconómicas, faixas etárias, cobertura territorial, nacionalidades e da sociologia para a sua presença, género(s), identidades sexuais, idiossincrasias, etc.
Por outras palavras, e neste caso concreto, o que estamos aqui a potenciar é a abordagem antropológica num statement mais do que polÃtico-activista - é a elevação do estatuto das pessoas enquanto portadoras de um fascinante património (i)material, repleto de biografias, autobiografias e autoficções inimagináveis e inesperadas que felizmente nos são acessÃveis através do resgate da nossa metodologia antropológica.
Imagine-se a maravilha que seria as pessoas começarem a vir a Montemor-o-Novo à procura da pessoa A, I, L, G, M, T, V ou até no decurso das suas caminhadas, passeios e derivas, mas também estimulá-las a se deterem nos encontros imprevistos com pessoas residentes ou estando só de passagem. Talvez fosse possÃvel rever e amplificar o gesto das selfies, a bem da preservação da integridade ontológica da paisagem e fÃsica das pessoas. Será que é possÃvel elevar o estatuto das pessoas ao estatuto de Paisagem Protegida ou Património da Humanidade?