Hélichryse é uma instalação coreográfica imersiva que explora a menopausa enquanto espaço de transformação física, emocional e social. Na interseção entre dança, vídeo e som espacializado, a obra convida o público a entrar num ambiente circular onde a perceção se torna fluida e profundamente pessoal.
No centro da instalação, uma intérprete emerge de uma paisagem frágil de texturas translúcidas e imagens projetadas. Através de uma coreografia visceral e poética, dá corpo aos sintomas frequentemente silenciados da menopausa: calor, desorientação, secura, perda e, por fim, emancipação. O seu corpo transforma-se, oscilando entre vulnerabilidade e força, realismo e metamorfose.
Em torno do público, uma constelação de vozes sussurradas ⎯ testemunhos recolhidos junto de mulheres de todo o mundo ⎯ desenrola-se através de um sistema sonoro imersivo. Estas narrativas íntimas criam zonas de escuta em constante mutação, incentivando cada espectador a percorrer o espaço e a construir a sua própria experiência.
Combinando realismo mágico com práticas somáticas, Hélichryse desafia as narrativas dominantes sobre o envelhecimento e o corpo feminino. A obra reivindica a menopausa como um limiar: não de declínio, mas de transformação, conhecimento e libertação.
Simultaneamente ritual e instalação, Hélichryse oferece um espaço onde corpos, vozes e histórias, durante tanto tempo silenciados, podem finalmente emergir, ressoar e ser testemunhados.