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Vivemos num tempo que já não é de passagem, mas de suspensão.
Não estamos apenas entre um antes e um depois, estamos dentro de um depois que ainda não começou a existir plenamente. Entre crises sucessivas, guerras em latência e futuros que não se deixam nomear, instala-se uma sensação difusa, mas persistente: algo está a mudar profundamente, não como acontecimento, mas como condição. "Habitamos um mundo em tensão permanente, onde os sistemas afetivos, sociais, políticos perderam consistência. Não vivemos dentro de estruturas sólidas, mas em equilíbrios precários".

Neste contexto, a pergunta deixa de ser “o que vem a seguir?” e torna-se mais urgente, mais íntima: o que fazer com o depois? Como escreveu Simone Weil, talvez seja na atenção ao que resta, ao que persiste apesar de tudo, que se abre uma possibilidade de sentido. Não uma resposta, mas uma prática: reparar, sustentar, escutar o que ainda vibra.

O que fazer com o depois? nasce dessa pergunta insistente e transversal: O que fazer depois de uma rutura, de uma perda, de uma crise, de uma euforia, de um colapso, coletivo ou íntimo? O que fazer quando aquilo que conhecíamos deixa de servir, mas nada de novo se estabilizou ainda? A partir de uma inquietação pessoal — o “depois” de uma relação, de uma notícia difícil, de um espetáculo que termina — a criação desloca-se para um território comum: o depois não como consequência, mas como estado de existência contemporâneo.

Um espaço onde o tempo falha,
onde os gestos procuram forma,
onde o corpo tenta reorganizar-se sem mapa.

Mais do que responder, este projeto habita essa zona instável.
Experimenta-o depois como matéria sensível: aquilo que sobra, aquilo que insiste, aquilo que ainda pode ser reconfigurado. Porque talvez o depois não seja o fim de algo, mas o lugar onde outra forma de vida, ainda indefinida, começa a ensaiar-se.

Apresentações Públicas

11 junho, 19h30
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Ficha Artística / Técnica

Direção Artística e Criação
Bernardo Chatillon

Interpretação e Performance
Gio Lourenço, Ana Rocha, Mariana Tengner Barros, Bernardo Chatillon

Consultoria em Encenação
Diogo Liberano

Desenho de Luz em Performance
Tiago Gandra

Composição Sonora em Performance
Rodrigo Pereira

Contributos artísticos durante o processo criativo a partir da pergunta: O que fazer com o depois?
Teresa Campos, António Poppe, Fernanda Eugénio, Guilherme Luz e Carlota Lagido

Produção executiva
Teresa Leite

Direção de Comunicação
Sara Silva

Produção
Flam ⎯ Criação artística

Residência de Coprodução
O Espaço do Tempo, Fábrica da Criatividade, Trust Collective e And Lab

Co-Produção
Cine-Teatro Avenida de Castelo Branco, Teatro Cine de Gouveia e Linha de Fuga

Apoios
DGArtes, Antena2, Município de Arganil e União de Freguesias de Côja e Barril de Alva

Agradecimentos

Teresa Madeira, Amigos/as Flam, John Noble, Hiago Rodrigues, J.Crist, Bruno Esteves, Isabel Silva, Pateo José Matias Junior, SAL Mercearia, Nélia Calvino, TRIJu (Teatro da Riju), Francisco Salgado, Espaço Céuvagem, Energias In The Van, Tomé Chatillon, Rosa Castro.

Bernardo Chatillon é artista nas áreas do teatro, dança e performance, investigando perceção, experiência sensorial e espaços invisibilizados a partir do Pensamento Mágico como prática artística. Formou-se na escola de circo (Chapitô), escola de dança e performance (C.E.M) e Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC), integrando o Teatro Nacional D. Maria II (2012–2015). Em 2016 muda-se para Berlim, onde desenvolve trabalho na Ponderosa e conclui o mestrado SODA (HZT/UDK). Colabora com artistas internacionais e apresenta regularmente criações, desenvolvendo também trabalho curatorial, pedagógico e comunitário.

 

 

 

 

 

 

Bernardo Chatillon (PT)

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