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Nos anos a seguir ao 25 de abril de 1974, foi fundada a Casa da Criança, no edifício de teatro a Comuna, em Lisboa, onde as crianças desfavorecidas dos circundantes bairros da lata do Rego e Fonsecas e Calçada passavam os seus tempos livres. Uns anos mais tarde, foi fundada em Montemor-o-Novo a Oficina da Criança, projeto que ainda hoje continua e que haveria de ser decisivo para a cultura local. Em 1984, abre portas o Centro de Arte Infantil do ACARTE na Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), também conhecido por "centrinho", lugar que se cruzaria com todos os outros, pelos apoios e formações que prestará uma rede de lugares onde a infância é vivida como infância - sem a infantilizar - e permitindo aos adultos o acesso à brincadeira. No "centrinho" culminam décadas de experimentação pedagógica de Madalena Perdigão e da sua equipa. Desta rede farão parte uma série de grupos, escolas e oficinas, um pouco por todo o país.

Tenho-me cruzado repetidas vezes com materiais de arquivo destas experiências desde a minha tese de Doutoramento sobre o Serviço ACARTE da FCG (de que fazia parte o "centrinho") até, recentemente, aos arquivos das companhias de Teatro Independente de 1970-19780 no âmbito do projecto FCT ARTHE/Arquivar o Teatro, de que sou Co-Investigadora Responsável. Tenho igualmente feito uma série de entrevistas de História Oral (tanto para a tese como no ARTHE) em que estas experiências me são relatadas. Este projecto, que se chama Brincar em homenagem à exposição de Salette Tavares na Galeria Quadrum em 1979, parte da pesquisa de arquivo, tanto no Teatro A Comuna/Casa da Criança e na Oficina da Criança, em Montemor-o-Novo, num primeiro momento, como dos arquivos familiares de Salette Tavares ou do Teatro O Bando, num momento posterior para, reunindo um conjunto de artistas numa residência em Montemor-o-Novo, n' O Espaço do Tempo, os reinventar com eles.

Ficha Artística / Técnica

Curadoria
Ana Bigotte Vieira

Equipa
Ana Bigotte Vieira, Isabel Lucena, Rosa Baptista, Pedro Cerejo, Bruno Caracol, Susana Caló, Maria Prata

Design
Isabel Lucena

Produção
Maria Folque Guimarães

Parceria
Oficinas do Convento, BUALA, Tigre de Papel, O Espaço do Tempo

Apoio
República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes

Ana Bigotte Vieira é Co-IR do projecto FCT Archiving Theatre e integrada no IHC. A sua investigação tem incidido sobre a relação entre experimentalismo nas artes e as transformações culturais e urbanas. Traduz teatro e filosofia. Entre 2028 e 2023 fez parte da equipa de programação do TBA. Presentemente prepara com João dos Santos Martins, Ana Dinger e Carlos Manuel Oliveira a exposição, ciclo de performances e livro Dança Não Dança – arqueologias da nova dança em Portugal.

Ana Bigotte Vieira

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