A haver um cânone literário ocidental, o centro é Shakespeare, ele ensina-nos a falar com nós mesmos, quem o afirma é Harold Bloom e pergunta-se ainda: Haverá ficção mais convincente e simultaneamente literária?Convincente? Ora aqui reside o nosso problema com o Rei Lear, perdoe Sr. Bloom. Como acreditar que Cordélia, a filha mais nova de Lear, ao recusar-se a medir em palavras o amor que sente pelo pai, seja expulsa para sempre do reino e sem dote. Se Lear não é tonto, e é tudo menos isso, porque a condena ao exílio?
O espectáculo propõe uma leitura conjunta de o Rei Lear, com muitas das dúvidas que nos assaltam quando lemos um clássico, na expectativa de que cada pessoa se ponha a falar consigo própria, não em voz alta e enlouquecida como o protagonista, mas como se de uma conversa se tratasse.