KITADA é a nova obra coreográfica de Marga Alfeirão. Insistindo no desejo feminino e no erotismo como fonte de memória, este trabalho parte da desflorestação massiva do séc XV para a construcção das frotas coloniais como o primeiro pacote de política ambiental e indústrial que alvejou os saberes femininos em massa, ameaçando directamente a sua relação/dependência dos sonhos, das plantas e das paisagens. KITADA surge como uma missão de resgate dos sonhos das mais velhas, através da desmontação pirata da frota, o tuning. É interpretada por quatro bailarinas entre os 45 e os 60 anos. A partir dos relatos dos Recolhimentos do Desagravo de Montemor-o-Novo, do Conselho das Tias e das objecções de consciência do hospital de Évora às interrupções voluntárias da gravidez, KITADA investiga as trajectórias da manha feminina.