Projeto vencedor da Sementeira, Bolsa de Novas Criações para o Alentejo, uma iniciativa da Antípoda A.C., com co-produção de O Espaço do Tempo, Alma d’Arame, Pó de Vir a Ser e CAE Portalegre, em parceria com Um Colectivo e os Municípios de Viana do Alentejo, Mértola e Portalegre.
Espantos nasce de um processo de escuta junto das pequenas comunidades do Alentejo, onde o envelhecimento da população e o esvaziamento do território se tornaram matéria de reflexão artística.
Entre memórias partilhadas, histórias simples e profundamente humanas, emerge a figura de um casal idoso que vive isolado num monte há demasiado tempo. Sem filhos e com poucos laços familiares, Espanta e Espanto passam os dias a inventar partidas um ao outro, transformando a rotina num jogo que os ajuda a resistir à solidão. Esta é interrompida pela chegada de um jovem carteiro, portador de uma linguagem poética própria, que percebe nunca ter entregue correspondência naquela casa e decide iniciar uma troca de cartas anónimas. O contacto estabelece-se através da palavra dita, uma vez que o casal não sabe ler nem escrever.
Entre humor, alguma melancolia e pequenos gestos de ternura, este encontro de gerações revela fragilidades, desejos e memórias, abrindo espaço para um diálogo sensível sobre o tempo, o isolamento e a necessidade de afeto. Cruzando o trabalho do actor e marionetas, Espantos constrói um universo poético onde corpo, memória e identidade coexistem. O espectáculo propõe-se como um gesto de escuta e devolução, onde a juventude e a velhice se encontram para celebrar a persistência do humano.