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O que é que uma cavalaria e o corpo da juventude têm em comum? Sendo o mais honesto possível, também não sei, mas são estas as três primeiras imagens que me surgem quando oiço a Pavana para uma Infanta Defunta, de Maurice Ravel. Uma pavana é uma dança lenta, associada a um cortejo de características processionais e melancólicas, com um peso e uma lentidão que sinto que carregam uma velocidade escondida. A verdade que encontro neste tempo demorado de transportar um corpo diz-me que ando à procura de demorar o enterro da juventude tanto quanto possível. Talvez por me aperceber que deixei coisas para trás, ou por sentir que não vivi vagarosamente uma adolescência que deveria ser eterna, encontro agora um refúgio neste tempo da pavana para gerar uma coreografia interminável, incontrolável. Uma fugacidade que não desacelere nunca do início até ao fim deste cortejo, questionando assim qual é realmente a durabilidade da ausência de pausa, utilizando o tempo no seu exponencial máximo. Poderá um corpo driblar-se a si próprio em campo? Poderão os cavalos e as éguas selvagens galopar para trás como fuga de um futuro destrutivo?

A vida como a peste e a juventude como a montanha. E vamos ao topo da montanha não para entrar, mas para sair de nós mesmos, para deixarmos os cavalos e as éguas correrem em liberdade, em direção à morte ou à purificação. Acredito que chegou a hora de respirarmos menos e suarmos mais.

13 fevereiro, 19h30

XL Box ver mapa

[ENSAIO ABERTO]

Entrada gratuita mediante reserva para +351 913 699 891 ou para info@oespacodotempo.pt.

Ficha Artística / Técnica

Direção Artística, Coreografia e Concepção Plástica
Daniel Matos

Cocriação e Interpretação
Lia Vohlgemuth, Joana Simões, Claudio Murabito, Margarida Paiva, Florencia Martina e Nuno Velosa

Colaboração Artística, Fotografia e Vídeo
João Catarino

Consultoria Artística
Beatriz Marques Dias

Música Original
(A partir de Pavane pour une Infante défunte, de Maurice Ravel))
Joana Guerra

Interpretação Musical ao Vivo
Joana Guerra e Orquestra do Algarve

Maestro
Pablo Urbina

Orquestradores e Arranjadores
Alunos da Universidade de Aveiro

Figurantes Crianças
Alunos da CAMADA Centro Coreográfico

Cenografia
João Catarino, Joana Duarte e Daniel Matos

Desenho de Luz e Direção Técnica
Ana Carocinho

Figurinos
Marina Tabuado

Direção de Produção
Joana Flor Duarte

Coordenação de Produção
Diana Martins

Comunicação e Assessoria de Imprensa
this is ground control

Coprodução
Teatro das Figuras, Centro Cultural Vila Flor, Cine-Teatro de Torres Vedras, Teatro Municipal da Covilhã e Município de Lagos

Residências de Coprodução
O Espaço do Tempo e Teatro José Lúcio da Silva

Apoio à Residência
GrandStudio Brussels – Materiais Diversos, Trois C-L (Luxemburgo), Estúdios Victor Cordon, Cine-Teatro Louletano, CAPA Devir, O Rumo do Fumo, Fórum Dança, Teatro José Lúcio da Silva e CAMADA Centro Coreográfico

Apoios
Teatro Experimental de Lagos, LAC – Laboratório de Atividades Criativas, casaBranca associação cultural, CAMADA Centro Coreográfico, Universidade de Aveiro, JoPAuto SA, ESTUFA Plataforma Cultural,

Produção
CAMA a.c.

Este projeto é financiado pela DGArtes - Ministério da Cultura, Desporto e Juventude / República Portuguesa.

© João Catarino

Daniel Matos (Lagos, 1996) é artista multidisciplinar. Desenvolve uma prática que cruza dança, performance e artes visuais, centrada no corpo como espaço biográfico e político. Desde 2014 colabora com Ana Borralho & João Galante e trabalhou, enquanto intérprete, com criadores como Angélica Liddell, Romeo Castellucci e Davis Freeman. Apresenta o seu trabalho em contexto nacional e internacional desde 2017. Destacam-se VÄRA (2022) e A Pedra, A Mágoa (2024), distinguida com o Prémio Melhor Coreografia SPA 2025 e o Prémio DROP Croatia. É cofundador da CAMA — Associação Cultural e criador do CENDDA. É o artista EM CASA 2026 dos Estúdios Victor Cordon.

A Luminosa Violência da Perfeição

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