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"Navalha na Carne", de Àkila a.k.a Puta da Silva, vence a 9.ª edição da Bolsa Amélia Rey Colaço

27 mai, 2026

Navalha na Carne, de Àkila a.k.a. Puta da Silva, é o projeto vencedor da 9.ª edição da Bolsa Amélia Rey Colaço, uma iniciativa promovida pelo Teatro Nacional D. Maria II (Lisboa), A Oficina / Centro Cultural Vila Flor (Guimarães), O Espaço do Tempo (Montemor-o-Novo) e o Teatro Viriato (Viseu), com o objetivo de apoiar a produção de espetáculos de jovens artistas e companhias emergentes, nacionais e estrangeiros residentes em Portugal.

Àkila a.k.a Puta da Silva é cantora, performer, realizadora e diretora artística brasileira, residente em Lisboa desde 2016. Licenciada em Teatro pela Universidade Federal de Uberlândia e mestre em Teatro e Comunidade pela Escola Superior de Teatro e Cinema, desenvolve uma prática que articula música performance, teatro e audiovisual como dispositivos de investigação artística e mediação cultural. O seu trabalho circulou em mais de três países e integrou mais de 40 festivais, instituições culturais e contextos institucionais. A sua obra audiovisual foi exibida em mais de dez festivais internacionais e premiada no Black Queer Festival, MVF Awards, Bogotá Music Video Festival, Luminosa Mostra e LISBIFF. Participou na Bienal de Veneza (2022) com o filme Vampires in Space, que representou Portugal, e como performer na obra Water Is Coming. Integrou ainda o elenco da novela Cacau (TVI), exibida em mais de 90 países. Enquanto criadora e encenadora, dirigiu os espetáculos Benedites (Cia. Ocupa Teatro) e Clarisse (Cia. Acazô), e foi diretora geral do movimento cultural Olho da Rua. Neste projeto, assume a direção artística e eral.

Navalha na Carne propõe uma reconfiguração contemporânea do clássico de Plínio Marcos, revisitando a obra sob a óptica das novas dramaturgias migrantes em Portugal. Com encenação de Àkila a.k.a Puta da Silva, o espetáculo tensiona corpos negros e dissidentes num quarto de cortiço onde a privação económica dita as regras. Entre a crise habitacional e o cerceamento de direitos, a criação expõe mecanismos contemporâneos de exclusão social e violência estrutural, transformando o palco num espaço de incidência política e confronto estético.

O prémio para o projeto vencedor da Bolsa Amélia Rey Colaço traduz-se na atribuição de um valor pecuniário de 25.000€, para além do acesso a várias residências artísticas e da possibilidade de apresentar o espetáculo nos quatro teatros parceiros da bolsa. Nesta 9.ª edição da Bolsa Amélia Rey Colaço, foram recebidas 61 candidaturas, submetidas à apreciação de um júri composto por Pedro Penim (Diretor Artístico do Teatro Nacional D. Maria II), Sofia Campos (Conselho de Administração do Teatro Nacional D. Maria II), Pedro Barreiro (Diretor Artístico d’O Espaço do Tempo), Patrícia Carvalho (Diretora Executiva do d’O Espaço do Tempo), Bruno dos Reis (Diretor do Teatro Oficina e Programador de Teatro do Centre Cultural Vila Flor), Marta Silva (Direção de Património e Artes Tradicionais – A Oficina), António M. Cabrita (Diretor de Programação do Teatro Viriato) e Maria João Rochete (Assistente de Programação do Teatro Viriato).

Criada em 2018, a Bolsa Amélia Rey Colaço apoiou já a criação de oito espetáculos de jovens artistas: Parlamento Elefante, de Eduardo Molina, João Pedro Leal e Marco Mendonça (2018), Aurora Negra, de Cleo Diára, Isabél Zuaa e Nádia Yracema (2019), Ainda estou aqui, de Tiago Lima (2020), Another Rose, de Sofia Santos Silva (2021), As Três Irmãs, de Tita Maravilha (2022), POPULAR, de Sara Inês Gigante (2023), Corre, bebé!, de Ary Zara e Gaya de Medeiros (2024) e TOSHiiB4 (2025), de Luísa Guerra, que estará em cena de 27 a 31 de maio na Sala Estúdio Valentim de Barros, nos Jardins do Bombarda, em Lisboa. Após esta apresentação, o espetáculo é apresentado a 12 de junho, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães; a 20 de junho, no Teatro Viriato, em Viseu; e a 4 e 5 de setembro, n’O Espaço do Tempo, em Montemor-o-Novo.

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