Estas são as seis pessoas que irão participar no Atlas, o novo programa internacional de residências, nascido de uma parceria entre Dance Limerick (Irlanda), Bora Bora (Dinamarca) e O Espaço do Tempo (Portugal): Kristian Hverring & Tone Lorenzen, Aoibhinn O'Dea & Jessie Thompson, e Bernardo Chatillon & Silvana Ivaldi.
O Atlas é um espaço de encontro para seis artistas que trabalham nas áreas da dança, performance, dramaturgia, design, música e som, artes visuais e práticas híbridas. O trabalho que irão desenvolver em conjunto parte de uma questão: Como pode o pensamento através da dança, em diálogo com outras disciplinas, abrir novos caminhos para enfrentar os desafios do nosso tempo?
Ao longo de uma série de residências nos estúdios e contextos locais da Bora Bora, da Dance Limerick e d'O Espaço do Tempo, os artistas do Atlas — Kristian Hverring & Tone Lorenzen, Aoibhinn O'Dea & Jessie Thompson, e Bernardo Chatillon & Silvana Ivaldi — irão explorar esta questão através de investigação partilhada, diálogo, colaboração e experimentação. O programa de residências será acompanhado internacionalmente pelos artistas Laura Murphy, Pedro Barreiro e Mirko Guido.
Mais do que privilegiar a produção de obras, o projeto centra-se no processo: na investigação coletiva, na experimentação e na possibilidade de transformação através da prática partilhada, e da disponibilidade para deixar que esse processo influencie a forma como cada artista trabalha. O ritmo diário de cada residência será moldado pelos interesses e propostas dos participantes, contando com a facilitação de um artista ou dramaturgo da organização anfitriã.
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KRISTIAN HVERRING (DK)
Kristian Hverring desenvolve uma prática artística centrada na música e no som, investigando a forma como são percecionados não apenas pelo sistema auditivo, mas também pelo corpo. O seu trabalho explora a forma como os seres humanos — e outros seres — escutam e como essa escuta molda a experiência de existir no mundo. Interessa-se pela relação entre a escuta, o tempo e o espaço, físico ou virtual, entendendo a escuta como uma forma de viajar no tempo, intimamente ligada à memória e à imaginação de futuros possíveis.
A sua prática é interdisciplinar e frequentemente colaborativa, abrangendo performances, edições musicais e instalações sonoras, tanto sob o seu próprio nome como sob o pseudónimo Krishve, para além da composição de música e universos sonoros para as artes performativas. Entre as suas colaborações artísticas de longa duração destacam-se Convoi Exceptionnel e Hotel Pro Forma. É ainda responsável pela codireção artística da companhia interdisciplinar Alter Ego, fundada em conjunto com a bailarina e coreógrafa Lisbeth Sonne.
TONE LORENZEN (DK)
Tone Lorenzen é artista de performance e diretora artística, desenvolvendo trabalho nos cruzamentos entre formatos imersivos, site-specific e participativos. A sua prática explora a intimidade, o erotismo, o ritual coletivo e a política do corpo, criando ambientes sensoriais onde público e performers experimentam vulnerabilidade, proximidade e partilha física. Movendo-se entre o cuidado e o confronto, o prazer e o desconforto, os seus trabalhos acontecem frequentemente em contextos não convencionais, como saunas, espaços públicos e instalações performativas.
É cofundadora e diretora artística da CuntsCollective e colabora internacionalmente em projetos interdisciplinares. Apresentou e programou projetos em vários países da Europa, Estados Unidos, Brasil e China. É também Community Engagement Director da HIMHERANDIT, onde desenvolve projetos participativos de grande escala assentes na confiança, na experiência do corpo e na construção coletiva de narrativas. A sua performance Weeping Men, criada em colaboração com o coro finlandês de gritos Huutajat, circula internacionalmente e integra a sua investigação artística contínua sobre culturas de banho, ritual e formas de encontro entre público e performers.
AOIBHINN O'DEA (IE)
Aoibhinn O'Dea é bailarina e desenvolve o seu trabalho entre a dança, a música e as artes visuais. Formou-se em Dança Contemporânea (Tanzfabrik, Berlim), possui um mestrado em Dança e Performance (Irish World Academy) e uma licenciatura em Escultura (NCAD). O seu trabalho é frequentemente desenvolvido em contexto site-specific e em espaço público, combinando movimento, figurino e som para explorar temas como a ligação entre pessoas e os limites impostos pela sociedade. Dinamiza oficinas de dança inclusiva em toda a Irlanda e colabora com diversos artistas multidisciplinares, refletindo um interesse contínuo em tornar a dança e a performance mais acessíveis a públicos alargados. O seu trabalho foi apoiado pelo The Arts Council, Light Moves, Bell Table Theatre, VISUAL, Carlow Arts Festival, Dance Limerick, Temple Bar Gallery, IMMA, Dance Ireland, Project Arts Centre, Glastonbury Festival, Electric Picnic e Altogether Now, entre outros espaços e festivais.
JESSIE THOMPSON (IE)
Jessie Thompson é artista e coreógrafa, sediada em Dublin, e trabalha entre o hip-hop, a dança contemporânea, o teatro, o cinema e a performance ao vivo. O seu trabalho explora a fisicalidade, a colaboração e a comunidade, sendo autora de obras como CRAWLER, The Floor Is Yours, AUTOMATA: A Myth Reawakened, Dance Music for the Apocalypse, entre outras. Foi distinguida com a bolsa Dance Artist in Residence Award do Arts Council of Ireland para os períodos 2025–2026 e 2026–2027 e é artista residente no Project Arts Centre. Desenvolve e apresenta o seu trabalho na Irlanda e internacionalmente, sendo também fundadora da Battle of Zen, uma plataforma irlandesa dedicada à dança urbana e à experimentação em formato de batalha.
BERNARDO CHATILLON (PT)
Bernardo Chatillon investiga e cria formas de fazer teatro, dança e performance a partir do conceito de pensamento mágico aplicado a estas dimensões artísticas, onde a especulação, a escuta e a experiência sensorial se tornam os materiais centrais da sua prática. Imagina novas formas de habitar o mundo contemporâneo, inspirando-se em espaços de perceção obstruídos ou camuflados — frequentemente ilegíveis e ignorados — procurando ativar uma presença poética, relacional e atenta, sem a pressão de resolver ou transformar imediatamente aquilo que observa. Brincar à criação de mundos é o motor do seu trabalho enquanto criador, programador e curador, entendendo sempre o público como parte de uma conversa contínua, da própria experiência e do acontecimento artístico em permanente construção.
SILVANA IVALDI (PT)
Silvana Ivaldi é uma artista transdisciplinar que trabalha sobretudo como performer, figurinista, criadora, dramaturga e designer gráfica. É licenciada em Design de Moda e mestre em Design de Imagem. Utiliza a diversidade da sua formação para pensar, explorar e criar formas poéticas e híbridas através de dispositivos visuais e performativos. Viveu e trabalhou durante quatro anos em São Paulo, Brasil. Participou no PACAP 6, com curadoria de Sofia Dias e Vítor Roriz, e lecionou na Escola Superior de Teatro e Cinema, acompanhando o projeto final de licenciatura em 2024. Mantém uma colaboração regular com Diana Niepce e destaca o seu percurso artístico ao lado de Pedro Barreiro, Maurício Paroni de Castro, Ana Carolina Teixeira Soares, André Uerba, André de Campos, Jo Castro, Gonçalo Alegria, Bruno Pereira (Aires), Eduarda Neves, Cão Solteiro e, mais recentemente, Gaya de Medeiros. Atualmente continua a apresentar a sua mais recente criação, ICONA, e inicia uma parceria com a Pó de Vir a Ser, em Évora, onde desenvolve trabalho com mármore, e com a Terceira Pessoa, participando no projeto Margem de Erro. É fundadora da estrutura Sr. João e artista associada da Cão Solteiro.
