Vespa

Rui Horta

PT
Convento da Saudação
02 FEV 2017 a 16 ABR 2017

"Há coisas que temos dentro da cabeça. Como um zumbido a roer o pensamento". Estas são as primeiras palavras de Vespa, e aquelas que, nem sempre sendo ditas, transportam o mundo interior da criação: uns parênteses, um tempo parado onde cristalizamos e cuspimos o que nos transcende e atormenta, um instante que se expande para um tempo mais vasto. Quando olho para os últimos meses nem sei bem porque decidi fazer esta obra... Provavelmente porque as coisas mais importantes são também as mais inexplicáveis e as menos racionais. Tal como um serial killer que se esconde atrás dos seus crimes, também o criador se protege do olhar do público, escondido atrás das suas obras e dos seus intérpretes. A diferença é que este solo aconteceu assim, simplesmente, como uma possibilidade, uma fractal, uma marca fugaz, apenas isso. Um lugar desprotegido e, pelo menos no meu caso, por muito pessoal que seja, não é autobiográfico, não conta o homem e fala de futuro. Quantos furacões de força 4 e quantos terramotos de grau 7 iremos enfrentar antes de falar das coisas mais simples e dos detalhes mais risíveis? Até Oscar Niemeyer, do alto dos seus 99 anos, e quando confrontado com a pujança da sua obra, apenas nos dirige um olhar cândido e frágil, mais profundo que qualquer palavra. Vespa tem esse mesmo olhar sobre o futuro, um reduzir do homem a uma ínfima partícula do cosmos, contemplado com alguma perda, muita compaixão e uma boa dose de ironia.

Coreografia, iluminação, interpretaçã: Rui Horta
Musica  original: Tiago Cerqueira
Aconselhamento artístico: Tiago Rodrigues e Marlene Monteiro Freitas
Apoio dramatúrgico: Pia Krämer e Mariana Brandão
Direcção técnica: Tiago Coelho
Direcção de produção e difusão: Mariana Brandão
Produção executiva: Espaço do Tempo

Co-produção:

Centro Cultural Vila Flor / Guimarães, Convento São Francisco / Coimbra, Teatro Aveirense / Aveiro, Centro de Artes de Ovar / Ovar, Hellerau Europäisches Zentrum der Künste / Alemanha              

Residência artística: O Espaço do Tempo

 

 

C

A