Se Alguma Vez

Victor Hugo Pontes

PT
BlackBox d'O Espaço do Tempo
04 JAN 2016 a 16 JAN 2016



SE ALGUMA VEZ PRECISARES DA MINHA VIDA,
VEM E TOMA-A.

A Gaivota, de Anton Tchékhov, é o ponto de partida para a nova criação de dança de Victor Hugo Pontes. Não se trata de transpor o enredo para o movimento, nem sequer de posicionar as personagens numa linguagem artística distinta do teatro. A dança clássica serve-se de um libreto e este espectáculo de dança serve-se de uma peça. A estrutura dramatúrgica sustenta o movimento, mas a narrativa perderá linearidade, de modo que o espectador veja aqui aquilo que quer ver num Tchékhov dançado. Depois de traçada a narrativa e de encontrados os agentes da acção (personagens, ligações, conflito, clímax, desenlace, etc.), a ideia é despojar a trama, de modo que se torne dançável e em simultâneo reconhecível, chegando-se a uma composição coreográfica que sobreviveu a hipotéticas linhas divergentes entre o teatro e a dança, ou entre texto e movimento sem palavras.

Um texto como ponto de partida é o desafio a que o coreógrafo se propõe. O texto de A Gaivota é, também ele, uma espécie de sucessivas tentativas de criação e de existência. De resto, a reflexão sobre o acto criativo é um dos pontos mais fortes desta peça de Tchékhov, e um dos que mais interessa a Victor Hugo Pontes.

Victor Hugo Pontes integrou a equipa criativa do espectáculo A Gaivota, com encenação de Nuno Cardoso, assim como das obras Platónov e As Três Irmãs, também de Tchékhov. O fascínio pelo autor levou-o a encenar Os Malefícios do Tabaco. Agora, o objectivo é criar dança a partir de uma das peças mais importantes da contemporaneidade, mesmo que se trate de um texto finissecular. Para Victor Hugo Pontes, alguns dos pontos mais interessantes do teatro de Tchékhov são a composição de enredos a partir de acontecimentos banais, o desenho das personagens enquanto seres humanos comuns e o jogo do acto criativo, numa espécie de teatrodentro-do-teatro avant la lèttre. O trivial torna-se trágico, a vida comum torna-se criação.

Segundo Jovan Hristić, "Tchékhov introduziu o tempo no drama (...), que transporta e transforma a vida dos seus heróis". Ora, Victor Hugo Pontes pretende, neste novo espectáculo, corporalizar esta ideia, trabalhando com bailarinos de diferentes gerações e formações, bailarinos com vidas diferentes, trabalhando diferentes linguagens com vista a alcançar uma nova linguagem, testando os limites da possibilidade de dança-dentro-da-dança a partir da sucessão e suspensão do tempo, e do modo como apenas durante o acto criativo é possível controlar estes dois movimentos.



Direcção e Coreografia | Victor Hugo Pontes
Cenografia | F. Ribeiro
Desenho de Luz e Direção Técnica | Wilma Moutinho
Música Original | Rui Lima e Sérgio Martins

Apoio Dramatúrgico | Madalena Alfaia
Assistente de Coreografia | Marco da Silva Ferreira
Interpretação | Allan Falieri, Ángela Diaz Quintela, Daniela Cruz, Félix Lozano, Jorge Mota, Leonor Keil, Marco da Silva Ferreira, Valter Fernandes e Vera Santos
Direcção de Produção | Joana Ventura
Produção Executiva | Jesse James
Co-produção | Nome Próprio, Centro Cultural de Belém, Centro Cultural Vila Flor, Teatro Nacional São João e Teatro Viriato
Apoio Residência Artística | Novo Ciclo ACERT e O Espaço do Tempo

@José Caldeira