o que fica do que passa

Teresa Silva

Portugal
Convento da Saudação | Montemor-o-Novo
13 MAI 2013 a 19 SET 2013

 

Não quero indagar o mistério. Deixo-me ficar no claro-escuro. É entre aquilo que se vê e aquilo que se imagina, que a coisa se manifesta. Nomear seria matar a coisa. Ela desfruta precisamente da pluralidade e da estranheza. Tenho impressões de gestos arritmados e inconsequentes, de um estado desprendido e de uma fantasia. Ela que deseja, prova, destrói, usa, transforma-se, confunde-se e deslumbra-se, entra de rompante. O lugar é cinzento e mutante, não sei se é maquinal ou natural, mas tem qualquer coisa de orgânico que o faz ser vivo, como ela. Eles co-habitam, ambos inconstantes, porque não se pode prever o que virá, só se pode estar no agora.

Estes são os meus delírios temporários quando olho a coisa. Provavelmente são imagens que tenho na minha cabeça.

Na verdade, acho que ao ver a coisa estou é a ver-me a mim.

Talvez a aventura aqui, seja só sentir.

Dar-se a possibilidade de ter, por momentos, um olho que sente.