FALL

Victor Hugo Pontes

Portugal
Convento da Saudação e BlackBox | Montemor-o-Novo
08 SET 2014 a 20 SET 2014

À semelhança de criações anteriores, Fall não parte de uma ideia estanque. Não parte sequer de um conceito único, embora a premissa sintética do título pudesse sugeri-lo. O que me interessou na palavra do título foi justamente a polissemia, as possibilidades múltiplas e absolutamente diferentes entre si. Vejamos o que escreve Gonçalo M. Tavares em Animalescos:  tento acelerar para conseguir cair, como alguém que treina uma qualidade para ser forte noutra: aumentar a velocidade para conseguir cair, aumentar a lentidão para conseguir cair; (...) o tempo de combate é o tempo da queda (...), mas é estranho derrubar o outro quando o outro está em queda, quando se está já no ar, quando
já não há apoios e nada sólido." Do que aqui se fala é da queda física, do acto, deliberado ou não, de cair.  Após um trabalho de maturação, concluí que trabalharei em Fall quatro tópicos, com níveis de profundidade diferentes: o movimento da queda física; a queda do homem (latu sensu); o que se entende pela expressão "quedar-se de amores"; até que ponto se ajustam, na língua inglesa, os dois significados principais de "fall" – "queda" e "Outono", sendo que no caso do Outono há todo um simbolismo de fim de ciclo na natureza que também me interessa explorar. Tratam-se de tópicos transversais ao percurso do homem. É fundamental (e coerente com o meu método criativo) que o ponto de partida-chave seja um movimento, uma acção, e não um mero conceito – todos caímos, seja
porque tropeçámos, porque nos empurraram, porque perdemos as forças ou a consciência. Fall começará aqui. Por outro lado, e de um ponto de vista simbólico ou metafísico, todos estamos condenados a uma qualquer espécie de pecado, ao amor, a chegar ao fim das coisas. Assim, o lado pragmático de Fall – alguém que cai – será complementado com um lado metafísico – pensando no que subjaz ao amor, ou à queda do homem – e com um lado orgânico – a natureza que morre para se transformar.

 

FICHA TÉCNICA

Direcção e Coreografia - Victor Hugo Pontes

Cenografia - F. Ribeiro

Imagem - João Paulo Serafim

Desenho de Luz - Wilma Moutinho

Música Original - Rui Lima e Sérgio Martins

Apoio Dramatúrgico - Madalena Alfaia

Interpretação - Anaísa Lopes, Ângela Quintela, António Torres, Daniela Cruz, Diogo  Almeida, Marco Da Silva Ferreira, Valter Fernandes

Bailarinos Estagiários - José Meireles e Maria Melo Falcão

Direcção de Produção - Joana Ventura

Produção executiva - Jesse James

Co-produção - Câmara Municipal do Porto, CCVF, Theatro Circo e Teatro Maria Matos

Residência Artística -  O Espaço do Tempo e Circolando

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