EVIDÊNCIAS SUFICIENTES PARA A NÃO COERÊNCIA DO MUNDO

Márcia Lança

Portugal
Convento da Saudação | Montemor-o-Novo
07 ABR 2014 a 30 ABR 2014

"Culture is the essential tool for making other"
"(…) the concept of culture operates much like its predecessor - race - even though in its twentieth-century form it has some important political advantages."

Leila Abu-Lughod in Stop Writing Against Culture


Este projecto apresenta o desaparecimento brusco de todas as evidências. "Uma breve história do corpo e de seus monstros" em articulação com a história da pintura retratista, da história do traje, da história da pintura de cenários frente aos quais os corpos de deixavam capturar e a história dos estatutos sociais do corpo. Em "Vigiar e Punir" Michel Foucault conta-nos como o corpo foi desde sempre objecto de punição e correcção. As instituições do poder, em sentido lato, agem sobre um "corpo social" treinando-o, modificando-o e trançado hábitos e comportamentos. É a técnica perfeita da coerção/correcção sobre o indivíduo fazendo-o corresponder ao paradigma vigente. Cria "sujeitos de obediência" pois, aumentando a força sobre a liberdade do corpo diminui-se a autonomia do sujeito. Este projecto questiona o corpo enquanto sujeito múltiplo e com hiper-capacidades metamórficas segundo os contextos em que se encontra e se foi encontrando ao longo da história: o corpo da rainha, a criada no séc. XIII, o corpo do coveiro, o corpo negro visto pelos missionários – o corpo do outro – a roupa usada na invasão francesa aliada aos movimentos em massa das tropas, a roupa com que dormia D. Afonso Henriques, a camponesa alentejana, a roupa de malha de ferro dos cavaleiros, sua segunda pele nas disputas de honra. Qual o cenário para algumas destas figuras, que gestos, que poses, que posturas, o estar só e o estar face ao outro – maneiras e comportamentos do uso da roupa e do corpo social segundo o momento/paisagem histórico. Procuro o encontro entre a história da paisagem representada na pintura e posteriormente representada na fotografia retratista, a história dos hábitos de vestir e estar enquanto portadores de significado social e, a história da evolução do mundo, da civilização. A ideia é desenvolver uma narrativa coreográfica, não cronológica no que diz respeito aos acontecimentos no mundo. Um discurso de carácter ficcional mas com contornos documentais.

 

Márcia Lança

João Calixto

Andrea Brandão

Ana Monteiro

Gonçalo Antunes