Hamlet

mala voadora

Portugal
BlackBox - Montemor-o-Novo
03 MAR 2014 a 18 MAR 2014

Um homem de acção movido por uma pergunta: O que podemos fazer pelos nossos mortos, sabendo que de nada adianta rezar por eles?

A mala voadora faz um Hamlet.

Vamos partir na versão do texto conhecida como o "mau quarto" – a versão que, como era hábito na época, resultou de testemunhos de quem conheceu o espectáculo original e, provavelmente a troco de dinheiro, o descreveu para que pudesse ser vendida a outras companhias. Era um procedimento habitual. O texto é irregular, imperfeito. Um rascunho sujo. Uma versão apressada da narrativa. Mas, na verdade, as investigações mais recentes, baseadas em aplicar esse material à cena, têm descoberto que é afinal perfeitamente adequada ao palco, mesmo com as lacunas ou erros que possa conter. É feita para companhias com menos actores. Prevê que os mesmos actores desempenhem vários papéis. É uma peça mais de grupo, com papéis mais equilibrados. E, sobretudo, é sintética. Com um Hamlet menos introspectivo e mais cru. Uma peça de vingança mais pura e bruta. Alec Guinness chamou-lhe "o Hamlet com uma avaria nos travões". Na sua rapidez, parece ser propícia a ensaios curtos e à improvisação. E ao cómico. W. H. Widgery achou-a "superior para fins teatrais". Apesar de literariamente criticada (por atalhar os devaneios líricos e introspectivos), o mau quarto tem sido louvado pela sua energia, pelo ritmo, pulsão narrativa, e pela sua económica clareza.Trata-se de um Shakespeare ainda mais apressado do que o costume. Um dos poucos elogios que nos chegou dele, da parte dos seus contemporâneos, foi o de que escrevia depressa. Samuel Johnson acrescentou: "Infelizmente, nota-se demasiadas vezes" – uma história que Jorge Luís Borges adorava.

direcção Jorge Andrade

a partir de Hamlet, mau quarto (a partir de Shakespeare)

tradução e apoio dramatúrgico Fernando Villas-Boas

apoio dramatúrgico David Cabecinha 

com Anabela Almeida, Carlos António, David Pereira Bastos, Hugo Torres, Manuel Moreira, Marco Paiva, entre outros 

cenografia e figurinos José Capela

luz Daniel Worm d’Assumpção

banda sonora Rui Lima e Sérgio Martins

produção Manuel Poças

assessoria gestão/programação Vânia Rodrigues 

A mala voadora é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal / Secretário de Estado da Cultura / Direcção-Geral das Artes e é associada da Associação Zé dos Bois e d’O Espaço do Tempo.