Rui Horta

Começou a dançar aos 17 anos nos cursos de bailado do Ballet Gulbenkian. Viveu vários anos em Nova Iorque, onde completou a sua formação e desenvolveu o seu percurso de intérprete e professor. Em 84 regressou a Lisboa onde continua a sua actividade pedagógica e artística. Nos anos 90 viveu na Alemanha onde dirigiu o Soap Dance Theatre Frankfurt, sendo o seu trabalho considerado uma referência na dança europeia e apresentado nos mais importantes teatros e festivais em todo o Mundo. Em 2000 regressou a Portugal e fundou O Espaço do Tempo, um centro multidisciplinar de residência e experimentação artística. Para além do seu trabalho de criador independente, criou, como artista convidado, um vasto repertório para companhias como: Culberg Ballet; Ballet Gulbenkian; Grand Ballet de l'Opera de Genéve; Ópera de Marselha; Netherlands Dance Theatre; Ópera de Gotemburgo; Companhia Nacional de Bailado; Random Dance, Carte Blanche, etc. Recebeu importantes prémios e distinções: Grand Prix de Bagnolet; Bonnie Bird Award; Deutsche Produzent Preis; Prémio Acarte; Prémio Almada; Grau de Oficial da Ordem do Infante; Grau de Chevalier de l'Ordre des Arts et des Lettres. A sua criação coreográfica dos anos 90 foi classificada como Herança da Dança Alemã. Nas artes performativas o seu trabalho de encenador estende-se o teatro, à ópera e à música experimental, sendo igualmente desenhador de luzes e investigador multimédia, universo que utiliza frequentemente nas suas obras.

Trabalhos recentes:

 

DANZA PREPARATA

Para assinalar o 100o aniversá- rio do nascimento de John Cage (2012), a Casa da Música convi- dou o coreógrafo Rui Horta a criar uma obra sobre as Sonatas e Interlúdios, um trabalho de re- ferência de Cage para piano pre- parado. Um solo para um "corpo preparado" em diálogo com um piano preparado.

Na interpretação das 20 curtas peças de Sonatas e Interlúdios, o piano obedece a uma rigorosa preparação, claramente descri- ta na partitura por Cage, sendo

este invadido e contaminado por todo o tipo de pequenos ob- jetos que dão uma sonoridade única. Um processo que levou Rui Horta a pensar na própria preparação de um corpo para a complexidade e virtuosismo da interpretação coreográfica. Dan- za Preparata é, por isso mesmo, uma peça reduzida à dimensão mais pura da composição co- reográfica, um enorme desafio onde o corpo e a música se ar- ticulam numa simbiose, onde a estranheza impera.

Música Sonatas e Interlúdios, John Cage Coreografia, cenografia e desenho de luzes Rui Horta Piano Rolf Hind Bailarina Silvia Bertoncelli Figurinos Ricardo Preto Produção Casa da Música e O Espaço do Tempo, em colaboração com Fundação Calouste Gulbenkian, Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura, Salzburg Bienalle, KunstFestSpiele Herrenhausen, Festival Musica Strasbourg, Festival Romaeuropa e Vilnius Gaida Festival, com o apoio do Réseau Varèse

 

 

Hierarquia das Nuvens

A Hierarquia das Nuvens

uma especulação narrativa para uma obra abstracta

Porque queremos estar sempre em outro lugar?

Espaço habitado, negociado por sete corpos, visto não apenas como território, mas sobretudo como um lugar imaginário, que os atrai, quebrando fronteiras e limites. Espaço que só faz sentido se for habitado por esses corpos e escarificado pelo seu movimento. Uma gestualidade que abre a porta de um espaço transformado em lugar pela linguagem coreográfica. Uma pergunta paira sobre a obra: porque queremos estar sempre em outro lugar? A que hierarquia obedecemos nos momentos de escolher? E no entanto a resposta, apesar de minuciosa como uma partitura, escapa à narrativa e é habitada por uma poética que transcende a compreensão: o território mais puro da dança. Chamei-lhe Hierarquia das Nuvens.

 

Contactos Difusão:

difusaoruihorta@gmail.com