Mundo Interior

João Garcia Miguel

PT
BlackBox
19 FEV 2017 16:00

Este espectáculo surge de um sonho antigo. Tão longínquo quanto o tempo em que João João se encontraram num Chapitô enquanto professor e aluno e no entanto já como almas e artistas. Jalâl Rûmi a quem pedimos o título da peça emprestado que é homónimo de um dos seus livros diz-nos que a palavra incita-nos na procura não que a coisa procurada seja obtida pela palavra pois se assim fosse não teríamos necessidade de nos esforçarmos tanto e repetidamente. Bastava falar e as coisas todas se acertavam e compunham como se entrássemos no Paraíso. A palavra é como uma coisa que se agita ao longe como uma miragem ou uma bandeira que nos chama além no deserto. Corremos por isso atrás das palavras. Fazemos escorrer palavras de dentro de nós. Fazemos as palavras correr à nossa frente. Corremos atrás da palavras para ver o que se agita lá longe. Mas não é por causa do movimento das palavras que vês melhor o que te rodeia e o fundo interior de onde eles emanam. A palavra incita-te fustiga-te a procurar o seu significado e aquilo que na verdade a provocou. Mas ao mesmo tempo que o faz que procura revelar a palavra tapa as coisas de onde vem. A palavra é uma capa que cobre é uma forma de ocultar a força o estímulo a energia as ideias o coração. A palavra é um oculto.

 

As palavras veiculam uma ideia mas o mundo interior é muito mais profundo. Como se a palavra fosse aponta de um iceberg e o resto submerso fosse o que se realmente quer dizer pensar ou sentir ou ver. Ou então como se a palavra fosse uma gota que sai de um funil ou como se fosse o resto do que se é. O destilar do pensar o ser. Por isso temos de falar duas línguas duas palavras. Uma linguagem que contenha dois lados. Temos de expressar-nos através de linguagens complementares onde o movimento é um modo de expressão e o outro é a palavra. Falar com o movimento e falar com o poema. Fazer uma proeza com as palavras como quem dança ou sobe a um mastro. Qual é a proeza da palavra Qual é a proeza de subir ao mastro da palavra. 

Autores da ideia | João Garcia Miguel e João Paulo Santos
Textos a partir de Lenda de Destruição de Kash retirada de Primitive Mythology de Joseph Campbell e um excerto da Divina Comédia de Dante
Direcção | João Garcia Miguel
Interpretação | João Paulo Santos
Voz | Miguel Borges
Música | Tiago Cerqueira
Figurinos | Ana Luena
Desenho de Luz e Direcção técnica | Luís Bombico
Imagem gráfica | João Catarino
Produção executiva | Raquel Matos
Assistência direcção | Rita Costa
Construção do Estrado | HVCROM
Apoio adereços | Rita Prata
Direcção som | Manuel Chambel
Gestão de projectos | Tiago da Câmara Pereira


Agradecimentos:
Ana Calçada, Alexandre Mira, Ana Carina Paulino, António Cinzas, António Paupreto, António Santos, Cristina Manuel, FX RoadLight, Irmãos Henrique e Valter, Jackson Lima, João Costa Dias, Luísa & Pedro Matos, Mafalda Matos, Maria Antónia, Pia Kramer, Rita Costa, Rui Horta, Rute Alegria, Sara Ribeiro, Susana Picanço, Tiago Coelho, Tia Lena, Vasco Mosa, Verónica Metello.

A Cia João Garcia Miguel é uma estrutura financiada pelo Ministério da Cultura/ Governo de Portugal e Direcção Geral das Artes, IEFP, Junta de Freguesia do Beato. Este projecto é co-porduzido por O Último Momento, Teatro Ibérico, Centro Cultural Vila Flor, AOficina, O Espaço do Tempo, Teatro Cine Torres Vedras. Conta com o apoio da Audex .